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Padre Peter Scott Sobre a Participação na Missa Nova

Pergunta:  É o Novus Ordo da Missa inválido, sacrílego ou,  devo assisti-lo quando eu não tiver nenhuma alternativa?

Resposta: A validade do rito reformado da Missa em latim, emitido por Paulo VI em 1969, deve ser julgado segundo os mesmos critérios como aos da validade dos outros sacramentos, ou seja: matéria, forma e intenção. A teologia defeituosa e o significado dos ritos, eliminando como eles fazem qualquer referência ao fim principal do sacrifício propiciatório, não necessariamente invalidam a Missa. A intenção de fazer o que a Igreja faz, mesmo que o padre entenda isso imperfeitamente, é suficiente para a validade. Com relação a este assunto, pão de trigo puro e verdadeiro vinho a partir de uvas é  o necessário para a validade. A troca na forma das palavras do latim original, embora certamente ilícita e sem precedentes na história da Igreja, não alteram a substância do seu significado, e, consequentemente, não invalidam a Missa.

No entanto, todos sabemos que tais  Missas [Novas] celebradas em latim são uma raridade, condenada à extinção pelo fato mesmo da reforma. A validade das Missas Novas que são atualmente celebradas nas  paróquias de hoje a mais de 30 anos é uma questão bem diferente. Aditivos na Hóstia as vezes invalidam a matéria. A mudança na tradução das palavras de Nosso Senhor, “por muitos” ecumenicamente aceitável para “por todos”,  lança ao menos dúvidas sobre a validade da “forma”. “Mais importante, porém, é o fato de que a intenção da Igreja de oferecer um verdadeiro sacrifício de expiação pelos pecados dos vivos e dos mortos tem sido obliterado por 30 anos. Na verdade, a maioria das liturgias apresentam intenção contrária a de uma celebração comunitária de louvor a Deus. Em tais circunstâncias, é muito fácil para um padre não ter  a intenção de fazer o que a Igreja faz, e para a Missa Nova não ser válida por este motivo. O problema é que isto fica escondido e ninguém sabe. Considerando que a missa tradicional expressa a verdadeira intenção da Igreja de uma forma clara e inequívoca, de maneira  que todos possam ter certeza da intenção do sacerdote, tal coisa não se encontra na nova Missa. Consequentemente, a dúvida da nulidade por falta de intenção, especialmente no caso dos sacerdotes manifestamente modernistas, não pode ser removida facilmente.

Claramente, uma missa inválida não é uma Missa, e não satisfaz a obrigação de domingo. Além disso, quando se trata dos sacramentos, os católicos são obrigados a seguir o “pars tutior”, o caminho mais seguro. Não é admissível receber conscientemente sacramentos duvidosos. Consequentemente ninguém tem a obrigação de satisfazer a sua obrigação dominical atendendo a Missa Nova, mesmo se não houver outra alternativa.

Entretanto, mesmo se pudéssemos ter a certeza da validade das Missas do Novus Ordo celebrado nas igrejas [conciliares] de hoje, não se segue que elas sejam agradáveis a Deus. Muito pelo contrário, elas são objetivamente um sacrilégio, mesmo que essas [pessoas]  que a assistem não estejam cientes disso. Com essa declaração, eu não quero dizer que todos aqueles que celebram ou assistem a Missa Nova estão necessariamente em pecado mortal de terem feito algo diretamente insultuoso contra Deus Todo-Poderoso e ao nosso Divino Salvador.

Sacrilégio é um pecado contra a virtude da religião, e é definido como “tratamento impróprio de uma pessoa sagrada, local ou coisa, uma vez que esses  sejam consagrados a Deus” (Jone, Teologia Moral, 108 p.).  Os Teólogos morais explicam  que, em si e de forma geral, é um pecado mortal (ex suo genere), mas não  é sempre um pecado mortal, porque ele pode se referir a coisa relativamente pequena ou sem importância. Aqui estamos falando de um sacrilégio real, a desonra do Santo Sacrifício da Missa, pela eliminação das orações e cerimônias que protegem a sua santidade, pela falta de respeito, devoção e adoração, e pela incapacidade de expressar a doutrina Católica da Missa como um sacrifício propiciatório pelos nossos pecados verdadeiros. Aqui, existem vários graus. Assim como é um grave sacrilégio e objetivamente um pecado mortal sério para uma pessoa leiga tocar a Hóstia Sagrada [sem] razão, assim também é, por exemplo, um pecado venial fazer a mesma coisa com o cálice ou os lenços sagrados, ou com o purificador ou a mortalha.

Da mesma forma com a Missa Nova. Pode ser objetivamente um pecado mortal de sacrilégio se a Sagrada Comunhão é distribuída na mão ou por Ministros leigos; se não há respeito, se há falação ou danças na igreja, ou se ele inclui algum tipo de celebração ecumênica etc. Pode ser também um pecado venial [objetivamente]  de sacrilégio se for celebrada com [incomum] respeito e devoção, de modo que ela pareça reverente a Deus Todo-Poderoso. Isto em virtude das omissões nos ritos e cerimônias que constitui um verdadeiro desrespeito a Nosso Senhor no Santíssimo Sacramento e à Santíssima Trindade; e do fracasso de expressar a verdadeira natureza do que a Missa realmente é. Em cada caso, a culpabilidade subjetiva  é, de qualquer forma, outra questão que somente Deus pode julgar.

No entanto, independentemente da gravidade do sacrilégio, a Missa Nova continua a ser um sacrilégio, e ainda é em si mesma pecaminosa. Além disso, nunca é permitido saber e voluntariamente participar em alguma coisa má ou pecaminosa, mesmo que isso seja apenas um pecado venial, pois que o fim não justifica os meios. Consequentemente, embora seja uma boa coisa querer assistir a Missa e de satisfazer a obrigação dominical, nunca é permitida a utilização de meios pecaminosos para atender a isso.

Assistir a Missa Nova, para uma pessoa que está ciente do sacrilégio objetivo envolvido, é, portanto, pelo menos, um pecado venial. É oportunismo. Por conseguinte, não é admissível que um católico tradicional que entenda que a Missa Nova é um insulto ao nosso Divino Salvador, assista a Missa Nova, e isso mesmo se não houver nenhum  perigo de escândalo para com os outros ou de perversão da própria fé (como em uma pessoa mais velha, por exemplo),  e mesmo que seja a única Missa disponível.

Fonte: http://www.holycrossseminary.com/catholic_FAQs_crisis_pg_2.htm

 

Um comentário em “Padre Peter Scott Sobre a Participação na Missa Nova

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Publicado às janeiro 26, 2016 por em Resistência Católica, Uncategorized e marcado , , .

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