Epiphanius de Salamis

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Denuncia contra a reintegração do Pe. Abraham por Dom Williamson

Uma palavra aos meus futuros críticos
Saibam que não me alegro em relatar o que vou escrever á seguir, mas sinto ser meu dever perante Deus. Tudo o que aqui será narrado são verdades, e há muitas pessoas capazes de confirmá-las. Se o assunto fosse sem fundamento, ou se houvesse alguma dúvida, ou se fosse apenas uma questão de ‘acusações’ e não fatos, eu não me atreveria a trazer isso para um público mais amplo. Até onde eu acreditava servir os interesses do bem comum, fiquei quieto; agora que vejo que o meu silêncio só faz permitir que outras certas almas sem escrúpulos aprofundem o escândalo, estou convencido de que este é o curso de ação na qual o bem da Tradição, a Igreja Católica e as exigências da fé requerem. Assim como a família que não prestou queixas [criminais], a saída fácil seria manter a calma e deixar para mais tarde essa tarefa ingrata e pouco invejável para outra pessoa. Mas quanto dano poderia ser feito nesse meio tempo, e será que eu não iria compartilhar a responsabilidade por esse mal?
Finalmente, considere por favor que, se eu escrevo isto com meu próprio nome e não me escondendo atrás do anonimato que caracteriza todas as coisas na internet, é somente porque sei que há muitas pessoas com interesse em abafar [esse relato], e portanto, tentariam lançar dúvidas sobre isso. Muitas coisas são ditas de forma anônima na internet, algumas delas verdadeiras. Quando algo é de tamanha gravidade quanto esse relato, o anonimato não seria honroso, nem útil, pois seria usado como motivo de descrença por aqueles que não acreditam, ou por aqueles que não acreditariam. Portanto, apesar de estar ciente do enorme risco pessoal e do ódio que irá sem dúvida ser derramado sobre mim, ofereço abertertamente e honestamente essas palavras a seguir, com a consciência tranquila e confiante de que Deus Todo-Poderoso ainda protege aqueles que O amam.
Padre Abraham
O que se segue abaixo não são opiniões, especulações ou suspeitas, mas fatos. Eles estão além da negação e podem ser confirmados. Para maior clareza, tentei mantê-los em ordem mais ou menos cronológica como eles ocorreram, e não necessariamente como eles vieram à luz.
1. Padre Abraham foi ordenado no início de 1990 e “incardinado” nas Filipinas e França, terminando na Inglaterra. Duas acusações foram feitas contra ele, ambas essencialmente da mesma natureza (homossexual, pederastia), mas separadas no tempo por uma década ou mais, e em extremidades opostas da terra. A primeira foi nas Filipinas na década de 1990, a segunda na França cerca de dez anos atrás.
2. Eu tenho falado com o padre que estava morando com o Padre Abraham nas Filipinas na década de 90 e para quem a primeira acusação foi feita. Ao ouvir a acusação contra o Padre Abraham do jovem em questão, que ele conhecia pessoalmente, este sacerdote então disse ao superior local e, eventualmente, esse outro passou para Dom Fellay. Ele é muito crítico pela maneira que o superior [local], assim como Dom Fellay, cuidaram do assunto. Ele relata que Dom Fellay disse-lhe que para toda acusação existem dois lados da história. Ele me disse que achou que ambos reagiam muito lentamente, não levando suficientemente a sério. No entanto, uma ação acabou sendo tomada.
3. No final Padre Abraham foi transferido para a França. Sacerdotes e fiéis na França não tinham conhecimento do porque ele havia sido transferido para lá.
4. Sua vítima na França, cerca de dez anos atrás, era um menino de 14 anos.
5. Padre Abraham passou algumas horas em uma cela da polícia francesa, mas foi liberado porque a família não quis prestar queixa.
6. Desta vez, o resultado foi que as autoridades da FSSPX proibiram-o de exercer um ministério sacerdotal e enviaram-o para viver em relativa reclusão, primeiro em Bristol e, em seguida, em Wimbledon. Ele ainda estava autorizado a usar a batina e ser chamado de “Padre”, e apesar de tudo, ele ainda tinha contato social com qualquer fiel que fosse ao priorado.
7. No final de 2013, cerca de um ano depois de ter sido expulso da Fraternidade São Pio X, os planos estavam avançando para a compra de uma casa para Dom Williamson, localizada em Broadstairs. Dom Williamson disse á pelo menos uma pessoa que ele não estaria disposto a ir viver lá a não ser que o Padre Abraham deixasse o priorado da FSSPX para ir morar com ele. Ele disse o mesmo ao Padre Abraham pessoalmente. Padre Abraham concordou com isso e, portanto, Dom Williamson estava disposto a se mudar para a nova casa em Broadstairs.
8. Em Janeiro de 2014 a compra foi concluída e Padre Abraham deixou o priorado da FSSPX em Wimbledon para ir viver na nova casa em Broadstairs. Ele chegou algumas semanas antes de Dom Williamson, que não se mudou para lá até março do ano seguinte. Disseram-me que ele foi “com a bênção do Padre Morgan” (Superior Distrital da FSSPX na época), mas eu não ouvi isso da boca do Padre Morgan, e ainda que isso seja verdade, eu não saberia dizer o que isso significaria.
9. Até o último momento, aonde ele viveu no priorado da FSSPX, Padre Abraham não realizava nenhum ministério ou função sacerdotal. Por conseguinte, sua saída da FSSPX para viver em Broadstairs foi vista por todos como a ocasião e causa de seu retorno ao ministério sacerdotal.
10. Á partir de Janeiro de 2014 Padre Abraham ofereceu Missa em Broadstairs e Kent.  E na capela da Resistência em Londres de Janeiro á Março de 2014. Isso foi feito com a aprovação explícita e o encorajamento (por vezes bastante fortes) de Bispo Williamson. Por exemplo, em um Domingo de fevereiro, Pe. Abraham estava programado para rezar a missa de Domingo para a Resistência na Escócia, mas por ter esquecido sua passagem em casa, estava prestes a voltar para casa. Bispo Williamson insistiu, então, para que ele fosse de ônibus.
11. Nessa época (eu não recordo a data exata), com o bem comum em mente e querendo resolver um mal-estar, perguntei á Dom Williamson, em sigilo, qual havia sido o motivo da suspensão do Padre Abraham da FSSPX. Dom Williamson respondeu que não sabia.
12. Embora alguns fiéis lembrassem do Padre Abraham de vinte ou mais anos atrás, muitos só o conheciam superficialmente ou não o conheciam de forma alguma. Praticamente do momento que Padre Abraham começou a se envolver com a Resistência, vários fiéis, em Londres, Kent e Escócia, comentaram que ele parecia ter trejeitos inegavelmente “homossexuais”.
13. Em março de 2014 decidi “desconvidar” Padre Abraham de rezar missa para a Resistência em Londres. Por mais que eu gostasse de honestamente poder dizer que o desconvite se deu pela grave preocupação moral descrita acima, da qual sabíamos pouco naquela altura, isso não seria verdade; esse não foi motivo. O motivo foi por uma mistura de coisas, principalmente: preocupação com as coisas contraditórias que o Padre Abraham estava dizendo em seus sermões, como sua recomendação para que os fiéis freqüentem a FSSPX; a confusão que ele já havia causado á congregação; e sua confissão de que ele não era um sacerdote da Resistência e que discordava com os sacerdotes da mesma em alguns pontos. É verdade que aliado á isto, havia definitivamente um mal-estar sobre certos trejeitos homossexuais visíveis, que eu e vários outros haviam notado, mas, nesta fase, sentimos incapazes de mencioná-los, pois não havia nada mais do que nossas próprias observações e suspeitas, sem nenhuma outra prova de que existisse algo bem mais grave por trás disso tudo.
14. Quando os rumores de uma natureza muito mais séria sobre Padre Abraham começaram a circular, no início do verão de 2015, dois fiéis que assistiram sua Missa em Broadstairs, decidiram perguntar diretamente ao padre numa conversa frete-a-frente, dando-lhe a chance de se defender pelo menos, caso os rumores fossem maliciosos e infundados. Eles, então, organizaram uma entrevista privada com ele na casa de Broadstairs. Nesta entrevista privada, Padre Abraham admitiu que era verdade que ele havia sido o objeto de duas distintas acusações, e que as acusações foram o motivo da sua suspensão. Além disso, ele admitiu que as acusações eram verdadeiras e que ele era culpado do que haviam lhe acusado. Ele disse, também, que não estava “curado” de tal tentação, que ele ainda sofria influências, e que tais incidentes poderiam acontecer novamente no futuro. Para um dos dois fiéis, um pai de família, ele disse que se alguma vez o homem pegasse ele olhando de uma maneira estranha para seus filhos, era para lhe dar um olhar de bravo ou dar um sinal de modo a fazê-lo parar de olhar [cobiçar as crianças].
15. Bispo Williamson está plenamente ciente de tudo isso e, ainda assim, permite Padre Abraham exercer um ministério público. Embora ele tenha sido solicitado para não voltar pela maioria dos grupos da Resistência, aonde ele esporadicamente oferecia Missa, a citar: Irlanda, Escócia e Londres (em 2014, antes de um centro de Missa rival ser criado), Padre Abraham continua a rezar missa e ouvir confissões em Broadstairs e no local rival em Londres. Três ou quatro semanas atrás, ele liderou uma peregrinação á Canterbury. Fotos estão disponíveis na internet. Há alguns meses atrás ele realizou cerimônia de Primeira Comunhão em Londres. Repito, fotos da celebração estão publicamente disponíveis na internet.
16. Dom Williamson não se limita a permitir ou tolerar tais coisas: ele é o principal responsável por isso, não só devido às circunstâncias do Pe. Abraham retomar o ministério público (descrito acima), mas também devido à sua posição na hierarquia episcopal. Há boas evidências que sugerem que é principalmente por obediência á Dom Williamson que Padre Abraham ainda está ministrando em público, e que se não fosse por isso, ele não o faria. Na ocasião da entrevista particular realizado em Broadstairs com dois fiéis, o próprio Padre Abraham expressou dúvidas sobre ele exercer um ministério público, ou se ele deveria se aposentar em reclusão. Quando ele disse isso, ele estava falando reservadamente frente-a-frente com os fiéis, e Dom Williamson não estava presente. Um pouco mais tarde, e depois dele ter tido a oportunidade de falar com Dom Williamson em particular, ele falou com as mesmas pessoas novamente e seu tom e atitude foram bem diferentes.
17. Além disso, é inegável que Dom Williamson não considera que haja qualquer razão para alguém estar preocupado com Padre Abraham, como ele mesmo disse mais de uma vez. Ele agiu com muita raiva em relação á todos fiéis que demonstraram preocupações em relação ao Padre Abraham, e embora ele não tentasse negar as “acusações” (que graças ao momento de honestidade do Padre Abraham), sabemos hoje, serem fatos, no entanto, ele sugeriu não ser uma preocupação porque havia sido “muito tempo atrás.”
18. Por volta do início do verão de 2015, quando os fatos relativos a razão para a suspensão de Padre Abraham começaram a surgir, eu e outros fiéis ficamos sem saber o que fazer. Foi comentado que não era justo nós, meros leigos, ficarmos encarregados de carregar um fardo tão pesado, preocupando com o futuro e pensando no que deveria ser feito. Naquela época, se nós não tentássemos sequer fazer algo a respeito, teríamos pelo nosso silêncio tornados cúmplices de qualquer desventura futura deste sacerdote. Dom Williamson já havia mostrado que ele não queria escutar e foi hostil com todos que levantaram a questão com ele. Á partir do momento que sentimos que algo deveria de ser feito, decidi que iria abordar Dom Faure e suplicar-lhe para fazer algo para ajudar; no entanto, eu não tinha nenhum contacto de Dom Faure. Tudo que eu tinha eram notícias, através de um site francês, que ele estaria realizando confirmações em Avrillé na data de Pentecostes.
19. Por isso viajei para a França de última hora e esperei em Avrillé com a intenção de falar com Dom Faure face-a-face, recusei-me a voltar até que eu conseguisse isso. Ao fim, eu estava lá por cinco dias. Dom Faure foi muito educado, ouviu atentamente tudo o que eu havia a dizer, sorriu muito, e fez ruídos simpáticos. No entanto, toda vez que eu perguntava sobre a questão da ação [a ser tomada], pedindo-lhe para fazer algo, ele se tornava evasivo, estava relutante em sugerir alguma coisa e não disse nada que somasse muito. O mais próximo de um real conselho que consegui obter foi, essencialmente: “Isso soa muito sério. Vamos torcer para que ninguém descubra.” Era inútil apontar para ele que o escândalo estava se espalhando de qualquer maneira, que a estória já havia se espalhado ao redor de muitas pessoas na Grã-Bretanha e na Irlanda, e que muito provavelmente iria continuar se espalhando, e o que era necessário era uma ação real. No final, apesar de uma conversa com duração de uma par de horas, pelo menos, saí essencialmente de mãos vazias e incapaz de relatar qualquer coisa esperançosa no meu retorno.
20. Não muitas semanas depois, no verão de 2015, Dom Faure rezou a Missa dominical publicamente na capela servida e associada de Padre Abraham.
Em suma:
Um sacerdote que é um predatório pederasta homossexual, culpado por dois delitos conhecidos, um deles ao menos contra um menor, e que por sua própria admissão ainda se sente tentado e que continua sendo um perigo real, é trazido para a Resistência e enviado sozinho para o circuito de Missas por Dom Williamson. Isto, apesar do fato do sacerdote já ter sido suspenso por Dom Fellay precisamente por essa razão, apesar das suplicações e preocupações levantadas por um amontoado de fiéis, apesar do próprio sacerdote indicar que ainda é potencialmente um perigo e que isso poderia acontecer novamente, apesar do ensino e as leis da Igreja, os ditames do senso comum e, acima de tudo, os interesses do bem comum.
Dom Faure foi abordado para ajudar nesse assunto, mas não ofereceu nenhum conselho, não prometeu nenhuma ajuda e, por fim, deu um gesto público de apoio ao Padre Abraham ao rezar missa em sua sede em Londres. Um pequeno número de fiéis que são devotos de Dom Williamson, embora estejam cientes dos fatos concernentes ao Padre Abraham, estão, contudo, dispostos a promovê-lo por razões de interesse próprio, e as fotografias são regularmente publicadas em um site operado por eles, mostrando Padre Abraham ministrando à almas inocentes, fazendo peregrinações, etc. Essas ações só servem para difundir e aprofundar o escândalo, e entre outras coisas, mostrar que o silêncio da nossa parte não está ajudando os interesses do bem comum. De acordo com a lei da Igreja, sem dizer do bom senso, este sacerdote não deveria estar funcionando como um sacerdote em público por mais tempo. Se ele fosse para viver o resto de sua vida em reclusão, oferecendo oração e penitência, estaria convencido de que ele poderia muito bem tornar-se um santo. Se a situação atual continuar, desastre, escândalos e mais danos à Igreja, Tradição e no Sacerdócio estarão por vir em breve. Dom Williamson se faz surdo a todas as súplicas e outro Bispo associado á ele se recusa a agir. Em tais circunstâncias como estas, o que devem fazer os fiéis?
Gregory Taylor – Editor do Periódico Recusant

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Publicado às fevereiro 3, 2016 por em Resistência Católica, Uncategorized e marcado , .

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