Epiphanius de Salamis

Blog destinado a tratar de assuntos relacionados ou de interesse da Tradição Católica

Comentários Eleison e o erro do galicanismo

Nota: Um leitor nos chamou atenção para um erro no texto quando dissemos que o autor dos Comentários Eleison teria afirmado que “a infalibilidade Papal depende do consentimento da Igreja.” Acolhemos a correção e nos desculpamos. No entanto permanece o problema central quando se lê nos “Comentários”  que:  “em segundo lugar, pelo mais autorizado texto da Igreja sobre a infalibilidade, a Definição do verdadeiramente católico Concílio Vaticano I (1870), nós sabemos que a infalibilidade do Papa provém da Igreja, e não o contrário”. Ao final, com  ou sem o consentimento, permanece o grave erro em afirmar que a infalibilidade do Papa provém da Igreja. O Cardeal Manning, um dos maiores defensores da definição da infalibilidade Papal durante o Concílio Vaticano ( a mesma recortada nos Comentários Eleison e postada na íntegra nesse post)  assim nos ensina:   “É para se ter especial atenção que esta definição declara que o Romano Pontífice possui por si mesmo a infalibilidade com que a Igreja em união com ele é dotada. A definição não decide a questão de saber se a infalibilidade da Igreja deriva dele ou se ela se dá através dele. Mas ela decide que sua infalibilidade [a do Ponticife Romano] não deriva da Igreja e nem se dá através da Igreja. A primeira questão é deixada intocada. “. (https://archive.org/stream/a592047000mannuoft…)

——————————————

  “Em conformidade com Seu plano e promessa, a infalibilidade da Igreja e da sua cabeça visível estão indissoluvelmente associados; põem-se de pé e caem juntos, pois eles são um só.” (Arcebispo Spalding, Evidências de Catolicidade página 455)

——————————————–

Nos Comentários Eleison de 13 de setembro do ano 2014 que pode ser lido aqui (http://borboletasaoluar.blogspot.ca/2014/09/comentarios-eleison-papas-faliveis.html) deparamos com um interpretação sobre a infalibilidade Papal já condenada pela Santa Igreja. Trata-se do galicanismo condenado pelo Concílio Vaticano I.

O autor dos “Comentários” despreza os manuais de teologia antigos para afirmar exatamente  o mesmo erro dos galicanos, qual seja: a afirmação de que a infalibilidade Papal depende do consentimento da Igreja. Todo o texto ignora por completo que essa infalibilidade vem de Cristo diretamente para aquele no qual foi confiado o rebanho de Deus. “Pedro apascenta as minhas ovelhas.”

Fui abrir o livro do Pe. Leonel Franca e fiquei surpreso ao poder verificar  que a resposta para os absurdos ditos nesses “Comentários”  são respondidos na mesma sequência em que aqueles erros foram pronunciados.  Pois que fica a dica, deixemos os “Comentários” de lado e voltemos aos antigos manuais de teologia.

Em seguida copiamos os trechos dos “Comentários” com a resposta do Pe. Leonel Franca.

Comentarios Eleison:

“Assim, é compreensível que os católicos modernos tendam a colocar muita fé no Papa e muito pouca na Igreja, e aqui está a resposta ao leitor que me perguntou por que eu não escrevo sobre a infalibilidade da mesma maneira que fazem os manuais clássicos de teologia católica. Esses manuais são maravilhosos ao seu modo, mas foram todos escritos antes do Vaticano II, e tendem a atribuir ao Papa uma infalibilidade que pertence à Igreja.”

A Igreja, a Reforma e a Civilização: Pag. 152 e 153:

“Onde, porém, reside essa infalibilidade? Qual é o seu Órgão autentico ? A razão iluminada pela fé responde:  passivamente, em toda a Igreja que recebe e  crê as verdades que lhe são propostas; ativamente, no seu Chefe, pastor supremo, no Pontífice romano, sucessor daquele a quem Cristo confiou a missão de confirmar os seus irmãos na fé”

“Ponhamos diante dos olhos a definição do Concílio Vaticano I; é o documento oficial em que a Igreja ensina autenticamente a sua doutrina: “Ensinamos e definimos ser dogma divinamente revelado que: o Pontífice Romano quando, desempenhando o cargo de Pastor e Doutor de todos os cristãos, com a sua suprema autoridade apostólica define que um doutrina relativa à fé e aos costumes deve ser criada pela Igreja universal, em virtude da assistência divina que lhe foi prometida na pessoa de S. Pedro, goza da infalibilidade com que o divino Redentor dotou a sua Igreja ao definir as doutrinas de fé e costumes; e que, portanto, as definições do romano Pontífice são, por si, irreformáveis e não em virtude do consentimento da Igreja*. Se alguém, o que não praza a Deus, ousar contradizer esta nossa definição, seja anátema.”

* Nota de roda pé: “Esta última cláusula foi inserida contra o erro dos galicanos que admitiam a inefabilidade das definições pontifícias quando a elas se unia o consentimento da Igreja. Confundiam a causa com o efeito.  Não são infalíveis as definições do Papa porque a elas adere a Igreja, mas a Igreja presta-lhes o seu assentimento porque são infalíveis. “

Comentarios Eleison:

“por exemplo, a infalibilidade, em seu ápice, é passível de ser apresentada nesses manuais como uma definição solene do Papa, ou do Papa com o Concílio, mas de qualquer modo, do Papa. O dilema liberal-sedevacantista é, por assim dizer, um castigo, a consequência dessa tendência de superestimar a pessoa e subestimar a instituição, pois a Igreja não é uma instituição meramente humana.”

 A Igreja, a Reforma e a Civilização: Pag. 153:

“Cada Palavra neste documento tem alto valor significativo, tudo é pesado e meditado. Com rara felicidade de expressão e propriedades de termos, a grande assembleia condensou, precisou e ilustrou admiravelmente o dogma católico. Não faremos senão expender a luminosa definição conciliar.”

“Dela, antes de tudo, se infere a verdadeira noção da inefabilidade: privilégio sobrenatural, firmado na assistência divina prometida por Jesus Cristo ao Papa, de não errar todas as vezes que, falando livremente ex-cathedra, como supremo doutor da Igreja universal, define que esta ou aquela doutrina concernente à fé ou aos costumes pertence ao depósito das verdades reveladas.”

Trata-se, pois, de um previlégio concedido não a pessoa particular do Papa, mas a sua função, ao seu cargo. Não é em proveito do homem, é em benefício da Igreja  que o Papa é infalível. Na esfera da sua atividade particular, o pontífice fica sujeito ao erro no campo intelectual e à pecabilidade no campo moral.”

É muito curioso verificar  que para rebater o sedevacantismo o autor desses “Comentários” use a seu favor uma interpretação sobre o Papado que já há muito tempo foi condenada pela Santa Igreja e que, ao final, põem em em duvida toda a definição dogmática sobre a Infalibilidade. Seja anátema!

Não se pode sequer alegar que o autor não tenha conhecimento das definições do Concílio Vaticano a respeito. Ele cita parte  da definição, mas somente aquela parte que, fora do contexto, parece lhe dar razão. Trata-se de uma desonestidade flagrante. Assim, tenta ele enganar os seus leitores citando parte da definição a favor da sua tese de que os antigos manuais de teologia “tendem a atribuir ao Papa uma infalibilidade que pertence à Igreja”.  Eis a citação: “…aquela infalibilidade da qual o divino Redentor quis que gozasse Sua Igreja na definição da doutrina…” 

O autor do texto tenta, citando essa parte do texto da definição, afirmar que a infalibilidade dada à Igreja é distinta daquela dada à São Pedro. Mas vejamos novamente a definição do Concílio Vaticano:

“Ensinamos e definimos ser dogma divinamente revelado que: o Pontífice Romano quando, desempenhando o cargo de Pastor e Doutor de todos os cristãos, com a sua suprema autoridade apostólica define que um doutrina relativa à fé e aos costumes deve ser criada pela Igreja universal, em virtude da assistência divina que lhe foi prometida na pessoa de S. Pedro,  goza da infalibilidade com que o divino Redentor dotou a sua Igreja ao definir as doutrinas de fé e costumes; e que, portanto, as definições do romano Pontífice são, por si, irreformáveis e não em virtude do consentimento da Igreja*. Se alguém, o que não praza a Deus, ousar contradizer esta nossa definição, seja anátema.”

Ora, o texto, como bem diz o Pe. Leonel Franca, possui “rara felicidade de expressão e propriedades de termos,”  e que  “precisou e ilustrou admiravelmente o dogma católico”. Não há qualquer sombra de duvida de que quando a definição diz que “o divino Redentor dotou a Sua Igreja” de poderes infalíveis para definir as doutrinas da fé e costumes, Ele O fez na pessoa de São Pedro. Esta lá dito: “em virtude da assistência divina que lhe foi prometida ( à Igreja)  na pessoa de S. Pedro,  e depois arremata: “e que, portanto, as definições do romano Pontífice são, por si, irreformáveis e não em virtude do consentimento da Igreja.”  A nota de rodapé do livro do Pe. Leonel Franca não nos deixa duvidas: “Esta última cláusula foi inserida contra o erro dos galicanos que admitiam a inefabilidade das definições pontifícias quando a elas se unia o consentimento da Igreja. Confundiam a causa com o efeito. Não são infalíveis as definições do Papa porque a elas adere a Igreja, mas a Igreja presta-lhes o seu assentimento porque são infalíveis. “

Fica assim evidente que o autor dos “Comentários” falsifica a definição do Concílio Vaticano para empurrar aos seus leitores uma falsa doutrina. Mas por quê?

——————————–

 “Com efeito, pode acontecer que os homens ignorantes e preconceituosos vão zombar e caluniar essa doutrina, como se fizesse um ídolo de um homem, mas com as claras -nós confiamos – explicações satisfatórias do verdadeiro significado da doutrina, nós podemos muito bem nos dar ao luxo de ignorar todas essas imprecisões que podem induzir ao erro apenas aqueles que desejam ser enganados. ” (Arcebispo Spalding, Evidências de Catolicidade página 468)
Obs: Todos os sublinhados são nossos.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Enter your email address to follow this blog and receive notifications of new posts by email.

Follow Epiphanius de Salamis on WordPress.com
Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

Cor Mariae

Blog destinado a tratar de assuntos relacionados ou de interesse da Tradição Católica

Apostolado Eucarístico

Blog destinado a tratar de assuntos relacionados ou de interesse da Tradição Católica

In exspectatione

Blog destinado a tratar de assuntos relacionados ou de interesse da Tradição Católica

RADIO CRISTIANDAD

La Voz de la Tradición Católica

Maurice Pinay

Blog destinado a tratar de assuntos relacionados ou de interesse da Tradição Católica

Pacientes na tribulação

Apologética católica

%d blogueiros gostam disto: